Incontinência urinária e disfunção erétil pós prostatectomia: por que adiar o tratamento pode custar sua qualidade de vida

Depois da cirurgia, a vida não volta sozinha

Ele venceu o câncer.
Passou pela cirurgia.
Recebeu alta.

Por fora, tudo certo.

Mas em casa, sozinho, o corpo começa a impor limites que ninguém explicou direito.

O xixi escapa quando levanta da cadeira.
O absorvente vira parte da rotina.
A ereção não responde — não importa a vontade.

Ele não fala sobre isso.
Não reclama.
Afinal, “o importante é estar vivo”.

E assim, aos poucos, a vida vai ficando menor.

O erro silencioso que muitos homens cometem

Depois da prostatectomia, muitos homens fazem algo parecido:
esperam.

Esperam o corpo “se ajustar”.
Esperam o tempo resolver.
Esperam porque acham que reclamar é exagero.

Enquanto isso, adaptam a rotina:

  • evitam sair por muito tempo
  • evitam contato íntimo
  • evitam situações onde o corpo possa falhar

O problema não é a cirurgia.
É adiar a reabilitação.

E esse atraso cobra um preço alto em qualidade de vida.

O que realmente acontece no corpo

A prostatectomia é um procedimento eficaz contra o câncer, mas ela impacta estruturas fundamentais:

  • músculos do assoalho pélvico
  • nervos envolvidos na continência e na ereção
  • coordenação neuromuscular

Mesmo com técnicas modernas, o corpo não “volta sozinho” ao funcionamento anterior.

A ciência é clara:

  • até 87% dos homens apresentam perda urinária nas primeiras semanas
  • a disfunção erétil é frequente, especialmente quando já havia fragilidade prévia
  • reabilitação precoce reduz o tempo de recuperação e melhora os resultados funcionais

Isso não é fraqueza.
Não é idade.
Não é psicológico.

É fisiologia.

Quando o homem não trata, ele se adapta, e isso é perigoso

Poucos falam sobre isso, mas precisa ser dito.

Quando o tratamento é adiado:

  • a incontinência se prolonga
  • o risco de persistência aumenta
  • a recuperação da ereção fica mais lenta e limitada
  • a vergonha se instala
  • a vida social e íntima é silenciosamente reduzida

O corpo aprende a funcionar errado por mais tempo.
E quanto mais tempo passa, mais difícil é reverter.

Fisioterapia pélvica: não é exercício, é reabilitação

A fisioterapia pélvica atua exatamente onde a cirurgia impactou.

Não é protocolo genérico.
Não é exercício da internet.
Não é “força de vontade”.

É reeducação neuromuscular com base científica, que:

  • treina novamente o controle urinário
  • acelera a resposta muscular com biofeedback
  • auxilia no retorno da função erétil
  • devolve segurança para atividades simples e íntimas

O objetivo não é “se virar melhor”.
É retomar autonomia.

O tempo importa mais do que muitos imaginam

Quando possível, iniciar antes da cirurgia já prepara o corpo.
Depois, começar logo após a retirada da sonda faz diferença real nos resultados.

Homens que iniciam a reabilitação cedo:

  • recuperam a continência mais rápido
  • retomam atividades sociais com menos medo
  • têm melhores chances de recuperação sexual
  • sofrem menos, por menos tempo

Não é pressa.
É estratégia.

Uma decisão adulta, não opcional

A fisioterapia pélvica não é um detalhe técnico do pós-operatório.
Ela faz parte do tratamento.

Ignorar os sintomas não faz com que desapareçam.
Só prolonga o impacto.

Cuidar disso não é vaidade.
É qualidade de vida.

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Fisioterapeuta Pélvica

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